A música que se ouve na Pó dos livros

Sábado, Julho 18

na montra


Na montra desta semana passeiam dois montros muito divertidos: um troll e um grufalão.

Como hoje é sábado e não há escola, o troll resolveu sair do livro (sim, este troll vai à escola!) e passear pela Pó dos livros acompanhado dos seus corajosos amigos toupeira e cabritinho.

O grufalão vi-o passar à bocado pela estante dos 3 aos 6, muito assustado, e disse-me que estava a fugir de um ratinho muito feroz.

Não sei o que andam os dois a fazer agora, mas espero que regressem à montra até ao final do dia.




"Como vencer um troll", de Nick Ward, Livros Horizonte - pvp11.00 euros

"O Grufalão", Julia Donaldson e Axel Scheffler, Verbo - pvp 8.99 euros

Débora Figueiredo

Quinta-feira, Julho 16

Published Books vs Importance


«Espero não abalar a minha credibilidade de livreiro se disser uma verdade improvável, por mais indiscutível que ela seja: a de que só por alguém escrever um livro de 5 xelins não passa a valer milhões.»

Livreiro anónimo a partir de uma frase de Laurence Sterne, em Vida e Opiniões de Tristram Shandy

Letras a Rimar

Uma introdução ao alfabeto com todas as letras a rimar! Cada letra tem rimas em que a mesma é trabalhada, sendo complementada com actividades de relacionação e reconhecimento, e também com grafismos, completando a introdução à escrita das letras.

Um livro destinado ao público infantil, pré-escolar: 4 anos, nas crianças mais curiosas, 5, 6 e mais anos nas restantes. Mas o interesse do projecto não se esgota com o domínio da leitura e da escrita: as rimas dão-lhe a mais-valia pedagógica necessária para avançar nos anos seguintes do 1º Ciclo do Ensino Básico
Autor: Margarida Pina Pereira~
Edição/reimpressão: 2009
Páginas: 48
Editor: Papa-Letras
ISBN: 9789898214065

pvp: 8.00€

Só pelo convite já vale a pena


Quarta-feira, Julho 15

Não Há Nada Pior...

História da Primeira República - hoje pelas 18h30


Terça-feira, Julho 14

Exposição - José de Guimarães

(Para mais informações clique na imagem da lem)



África – Diálogo Mestiço: Colecção de Arte Tribal Africana
15 Jul a 30 Set 09
Todos os dias: 11h-19h

José Maria Fernando Marques nasceu em 1939, em Guimarães, cidade que lhe emprestou o nome artístico pelo qual hoje é conhecido. Frequentou a Academia Militar e licenciou-se em engenharia no Técnico. Em 1967 foi para Angola no cumprimento do serviço militar e por lá ficou sete anos. Será no continente africano que a sua arte se desenvolve e se define ficando indelevelmente contaminada pelos tons, formas e temas encontrados. É também por essa altura que descobre a arte africana e adquire as primeiras peças. A colecção de arte africana de José de Guimarães, apresentada sob o título África – Diálogo Mestiço, patente no Páteo da Galé, resulta da paixão e de um olhar atento em torno da compreensão das origens e dos modos de fazer arte. Subjacente a esta exposição, comissariada por Rui Mateus Pereira, está o encontro entre um dos mais internacionais e reconhecidos artistas plásticos portugueses e a arte intemporal que conheceu em África.

Grande chatice

- Mãe! qual foi o primeiro homem na Terra? - Não digas, já sei. - Não foi um homem foi uma mulher. - O homem teve que sair de dentro da mulher, não é?

- Vasco, qual é que nasceu primeiro: o ovo ou a galinha?

- Oh! essa é fácil, foi a galinha.

- E de onde nasceu a galinha?

- Eh pá, pois é…! Grande chatice!
-
Jaime Bulhosa


Um guia amplamente ilustrado que permite acompanhar os grandes eventos geológicos e biológicos que, mais frequentemente, remodelaram a terra, desde a origem do Sistema Solar até aos nossos dias. Dos dinossauros aos Mamíferos, dos insectos às aves, das algas às flores. A extraordinária variedade de formas vivas surgidas sobre a Terra recordam-nos como é importante a saúde do nosso planeta e quanto nos devemos empenhar para o preservar.

História da Terra
Geologia, Ecologia, Biologia
Edição/reimpressão: 2002
Páginas: 124
Editor: Porto Editora
ISBN: 978-972-0-70488-7

PVP: 16.90€

Segunda-feira, Julho 13

Pensamento do dia

«Insistir em editar ou tentar vender livros considerados de fraca qualidade que não vendem é teimosia. Teimosia sem inteligência é tolice soldada na ponta da estupidez.»

Livreiro anónimo a partir de uma frase de Vitor Hugo in O Último
Dia de Um Condenado

O Que Parece É


Sábado, Julho 11

Qual é a cor dos teus sonhos?

«"Necessito de qualquer coisa que provoque uma emoção. A emoção é o que me faz mexer. Não é do domínio do sentimento. É como se me picassem com um alfinete."
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"Nunca sonho durante a noite, mas no meu ateliê estou em pleno sonho. É quando trabalho, quando estou acordado, que sonho"
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"Se me dizem 'qual é a sua cor preferida?', a questão quase que não tem sentido para mim: gosto e procuro o contraste das cores."
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Os siêncios de Miró são lendários: as suas mãos traduziam, com brio, a sua visão do mundo. Estas entrevistas têm, então, um grande valor documental. Percorremos os seus ateliês e Miró puxa-nos para a arena da sua actividade criativa: acto poético, incansável luta contra o conformismo e resposta ao apelo da matéria. Nestas suas recordações, cruzamos Buñuel, Breton, Dali, Matisse, Picasso... entre outras figuras maiores da Arte do séc. XX.
Miró, o Encantador, ocupou o seu espaço pictural de formas, linhas e cores à procura de "libertar a pintura para melhor cultivar o sonho"...»



Esta É a Cor dos Meus Olhos
Miró / Conversas com Georges Raillard
Edição: 90 Graus, 2006
Tradução: José Mário Silva
ISBN: 9789728964047
PVP: 16.00

Quinta-feira, Julho 9

As 10 piores capas de livros de sempre

As capas que se seguem foram eleitas as 10 piores capas de livros de sempre, nos Estados Unidos. A Pó dos livros propõe que nos ajude e participe na selecção das 10 piores capas de sempre da edição de livros em Portugal. Para isso, necessitamos que nos envie (para o e-mail podoslivros.jaime@sapo.pt ) uma imagem ou, se não tiver, o título, autor e editora da capa que considera a pior que já alguma vez viu. Tem de ter em consideração quatro factores essenciais:

1.º Mau gosto
2.º Pior Design
3.º Incongruência com o tema
4.º Um tiro ao lado em relação ao público-alvo

Mais tarde faremos uma pré-selecção que submeteremos à votação dos nossos leitores, para eleger os dez felizes contemplados.

Nota: Convém estar atento a pequenas subtilezas de “bom gosto” de algumas das capas, reparem na relação título capa ou onde por exemplo a moça n.º 6 tem a sua mão.

N.º1

N.º2
N.º3
N.º4
N.º5
N.º6
N.º7
N.º8
N.º9

N.º10

Biblioteca Juvenil

As Edições Nelson de Matos acabam de editar a Biblioteca Juvenil com novas traduções de clássicos como: As Aventuras de Robinson Crusoe de Daniel Defoe, As Viagens de Gulliver de Jonathan Swift, As Aventuras de Tom Sawyer, Mark Twain, entre outros.


(Faça clique na imagem para ver mais)

Quarta-feira, Julho 8

The Book Seer


Acabou de ler um livro e gostaria de ler livros semelhantes? Experimente o The Book Seer para obter sugestões.

(Via Estante do livro)

Terça-feira, Julho 7

Não se zangue! a Pó dos Livros tem solução para tudo.


- Olhe, vou ser muito sincero, estou farto deste país de m…, são todos uns malandros, estes tipos do governo, e os da oposição não são melhores, anda meio mundo a ver se engana outro meio mundo. Mas também lhe digo - nos outros países não é melhor, sim, porque já vivi noutros países e a m… é a mesma.

- Pois, não está fácil.

- Não é uma questão de facilidade, a crise não justifica tudo, é uma questão de princípios. Sabe, as instituições deste país estão a cair de podres, por mim arrasava com tudo. Mas não vale a pena, já não há remédio - a não ser… que você tenha aí um livro que me resolva a situação, eh, eh, eh (riso malicioso).

- Por acaso até acho que tenho.

- Como?!...

- How to Start Your Own Country, de Erwin S. Strauss.


Nota. Ora! diga lá se trabalhar numa livraria, não é uma maravilha.
-
Jaime Bulhosa

Segunda-feira, Julho 6

Uma boa notícia



O regresso da Phala, agora em formato digital.

Que língua estranha é esta?


Uma pessoa adulta e com uma formação média ou elevada reconhece entre dez mil e 15 mil palavras. Tendo em conta que a língua portuguesa terá cerca de um milhão de palavras, isto quer dizer que utilizamos apenas 1% a 1,5% dos seus recursos vocabulares.
Este facto deixa-me perplexo perante a forma como por vezes olhamos para os jovens e lhes condenamos a utilização de novas palavras ou perante as polémicas à volta do acordo ortográfico. O aparecimento de umas poucas novas palavras ou a alteração da grafia de outras tantas não tem qualquer expressão na imensidão de palavras que podemos usar. Por exemplo, um livro com cerca de 200 páginas (escrito por um bom escritor) não terá mais de 50 mil palavras; não contando com as palavras repetidas e os artigos, sem rigor, um livro deve conter 12 mil palavras diferentes (por isso é que recorremos tantas vezes ao dicionário).
Quer isto dizer, também, que poderíamos escrever várias versões do mesmo livro recorrendo apenas a sinónimos (entre outras coisas, por isso é que uma tradução pode transformar um livro noutro completamente diferente). O resultado, contudo, poderia soar mais a um dialecto africano ou a um dialecto de uma tribo nativa da América do Sul do que propriamente a português. Deixo-vos um exemplo de uma frase escrita com palavras portuguesas que muito raramente ou nunca são usadas:

«Acuí-cuí, minha darona usa acudó.»

Nota: De acordo com o dicionário de sinónimos da Porto Editora, esta frase quer dizer: «Sim, minha mãe usa peruca.»
-
Jaime Bulhosa

Revista Booktailors


No Bosque do Espelho


Recorrendo a histórias pessoais e a reflexões literárias ricas em humor e erudição subtil, Alberto Manguel leva-nos a reflectir sobre as delícias e responsabilidades da leitura – uma viagem despoletada pela humanidade do autor, pela sua curiosidade insaciável e extraordinária abrangência da percepção do mundo. «Divertido, intimamente comprometido e, no entanto, subversivo. [...] Manguel é o Don Juan das bibliotecas.» George Steiner, The Observer «Esplêndido [e] eloquentemente escrito. [...] É a capacidade de Manguel de apreciar a riqueza do banquete cultural do mundo que faz desencadear a sua escrita mais elevada e original.» The Times Literary Supplement «[Manguel] é sobretudo um entusiasta do prazer dos livros, e o seu entusiasmo, tal como exposto na sua impressionante colecção de textos, é cativante. [...] Irradia a sua sagacidade engraçada e o amor pelo paradoxo... Soberbo.» Germaine Greer

Edição: Dom Quixote
Autor: Alberto Manguel
ISBN: 978-972-20-3833-1
Páginas: 224
Dimensões: 15,5 x 23,5 cm
Colecção: História & Sociedade
Ano de Edição: 2009
Encadernação: Brochado
Preço com IVA: 15.00 €

Sexta-feira, Julho 3

Bons livros, maus livros. Em que ficamos?

Sou por vezes confrontado por este meu amigo, que me critica pela forma como vejo os livros e me diz que sistematicamente faço uma apologia hipócrita da diferença que existe (excepto no preço) entre os bons livros e os maus livros. Diz ele que isto tem que ver não com a minha praxis, mas sim com uma reflexão elitista. Considera que as vantagens que eu defendo não fazem qualquer sentido, porque o que é bom para mim não tem necessariamente de ser bom para ele - ou seja, a diferença entre um bom livro e um mau livro está sobretudo no leitor e não no livro em si, já que é o nível de conhecimentos das pessoas que desencadeia a diferenciação. Uma pessoa pode ter prazer com um livro que é considerado mau por muita gente, e nenhum prazer com um livro por outros considerado excelente. Tudo depende do seu nível cultural.
Eu seria forçado a concordar com este meu amigo, não fosse aquilo que nos separa em termos de conceito, isto é, em termos das características que temos em conta para classificar certos livros como bons e outros como maus. Para mim, a diferença não está no grau de dificuldade da leitura, pois isso sim depende mais, quase sempre, do leitor do que do próprio livro; a diferença está na honestidade do seu conteúdo. O que eu quero dizer é que um livro, como qualquer outro produto cultural que se adquire, deve reger-se por padrões mínimos de qualidade e credibilidade, independentemente do público a que se dirige. Deve ser original (a menos que esteja expresso o contrário) e não deve conter erros (sejam de que tipo forem), nem pode ser escrito de forma displicente, devendo evitar transmitir, (como dizia o editor João Rodrigues) ideias racistas, chauvinistas, homofóbicas, misóginas, etc. Sou, no entanto, forçado a concordar com o meu amigo quanto à ideia de que há pelo menos quatro idênticas sensações experimentadas, quer quando lemos um bom livro de que gostamos muito, quer quando lemos um mau livro de que não gostamos nada. Quando lemos um bom livro de que gostamos muito, sentimos: ansiedade para chegarmos ao próximo capítulo; angústia perante a aproximação do fim; tristeza por termos acabado a leitura e vazio por sermos obrigados a deixá-lo. Quando lemos um mau livro de que não gostamos nada, sentimos: ansiedade perante a perspectiva do próximo capítulo; angústia por não querermos ver-lhe o fim; tristeza pelo facto de o termos comprado e por fim o vazio que ele nos deixou.
--
Jaime Bulhosa

Quinta-feira, Julho 2

O anti-booktrailer do Manual de civilidade para meninas


«Tende tantos amantes quantos os que desejares; não contai porém aos novos o que fazeis com os velhos. E reciprocamente.»


«Se o senhor vosso pai vos disser, com furibunda voz: - não és minha filha!, não lhe deveis retorquir: - Há quanto tempo o sabia!» Pierre Louÿs


Se quiserdes de facto ser muito popular, podereis escolher dois caminhos: seguir o livro de Pierre Louÿs escrito em 1917 ou o filme realizado em 1947.

Jaime Bulhosa


12 livros sobre os quais dizemos: já li, vou ler, tenho que ler e continuam na mesa de cabeceira.


- Picwick Papers de Charles Dickens

- O Homem Sem Qualidades de Musil

- Guerra e Paz de Lev Tolstói

- As Benevolentes de Jonathan Littell

- Crime e Castigo de Fiódor Dostoiévski
-
- A Vida e Opiniões de Tristram Shandy de Laurence Sterne

- Em Busca do Tempo Perdido de Marcel Proust

- Romance de Genji de Murasaki Shikibu

- Dom Quixote de la Mancha, Miguel de Cervantes

- Os Lusíadas de Luís de Camões

- Odisseia de Homero
-
- Bíblia Sagrada de A.A.V.V.

Nota: Evidentemente como livreiro já os li e reli a todos.
-
Jaime Bulhosa

Livros

Tropeçavas nos astros desastrada
Quase não tínhamos livros em casa
E a cidade não tinha livraria
Mas os livros que em nossa vida entraram
São como a radiação de um corpo negro
Apontando p’ra a expansão do Universo
Porque a frase, o conceito, o enredo, o verso
(E, sem dúvida, sobretudo o verso)
É o que pode lançar mundos no mundo.

Tropeçavas nos astros desastrada
Sem saber que a ventura e a desventura
Dessa estrada que vai do nada ao nada
São livros e o luar contra a cultura.

Os livros são objetos transcendentes
Mas podemos amá-los do amor táctil
Que votamos aos maços de cigarro
Domá-los, cultivá-los em aquários,
Em estantes, gaiolas, em fogueiras
Ou lançá-los pra fora das janelas
(Talvez isso nos livre de lançarmo-nos)
Ou o que é muito pior por odiarmo-los
Podemos simplesmente escrever um:

Encher de vãs palavras muitas páginas
E de mais confusão as prateleiras.
Tropeçavas nos astros desastrada
Mas pra mim foste a estrela entre as estrelas.
-
Caetano Veloso

Quarta-feira, Julho 1

na montra

TRÁS!-uma história exemplar de Adam Stower. Uma odisseia de acidentes que começa com um bater de porta e não se sabe bem como vai acabar. Divertido, inesperado, disparatado e cheio de pormenores para descobrir.
Pó de Estrelas - uma dança de palavras à volta do universo, com planetas, estrelas, cometas, nebulosas, buracos negros, constelações e muito mais. Os poemas são de Jorge Sousa Braga e as ilustrações de Cristina Valadas. Para ler, ouvir, ver, cantarolar, dizer alto, decorar e repetir vezes sem conta.

O Big Bang
Eu não estive lá
mas deve ter sido assim
Só não sei se foi o fim do princípio
ou o princípio do fim.

(pág14)

Pólo Norte
O que tem a Ursa Menor
que a Ursa Maior não tem?
Uma nebulosa em redor
uma nova um pulsar?
O que a Ursa Menor tem
é a Estrela Polar

(pág 30)

TRÁS!-um história exemplar, Adam Stower, Livros Horizonte, 2006. (11.00 euros)

Pó de Estrelas, Jorge Sousa Braga e Cristina Valadas, Assírio & Alvim, colecção Assirinha, 2007 (13.00 euros)

Débora Figueiredo

Uma pergunta


Os nossos clientes gostam dos livros deles e nós também. O que é que se passa com a editora que ultimamente não conseguimos encomendar os seus livros?

A History of Histories

Este livro é uma extraordinária história de como nós entendemos e interpretámos os últimos dois mil e quinhentos anos, desde o pai da História, Heródoto, até às crónicas medievais, passando pela épica descrição da queda do Império Romano de Edward Gibbon até aos documentários da TV dos dias de hoje. Este livro único explora os relatos que definiram os grandes eventos da História, mostrando os que eles nos dizem sobre o seu tempo e o nosso.

Editor: Penguin
Autor: John Burrow
Isbn: 978-0-14028-379-2
Pvp: 16.25 €

Terça-feira, Junho 30

O campeão lá da escola

Segunda-feira, Junho 29

O ar lisboeta do O'Neill

Alexandre O'Neil (Lisboa, 1924-1986)
--
O AR DO LISBOETA

(lista a encurtar ou a acrescentar pelo leitor)

o ar milonga do lisboeta

o ar mastronço do lisboeta

o ar activo do lisboeta

o ar coitado da filha do lisboeta

o ar cabotino do lisboeta

o ar reservado do lisboeta

o ar dia oito do lisboeta

o ar missa da uma do lisboeta

o ar campdòrique do lisboeta

o ar queixudo do lisboeta

o ar ramona do lisboeta

o ar bichona do lisboeta

o ar pasma do lisboeta

o ar barrigatesta do lisboeta

o ar último olhar de jesus do lisboeta

o ar vilas boas do lisboeta

o ar estoril do lisboeta

o ar em princípio vou do lisboeta

o ar eu depois confirmo do lisboeta

o ar catarino do lisboeta

o ar daniel do lisboeta

o ar terilene do lisboeta

o ar jaguar do lisboeta

o ar poupar do lisboeta

o ar gastar do lisboeta

o ar solmar do lisboeta

o ar morrinhanha do lisboeta

o ar seminarista do lisboeta

o ar boçal do lisboeta

o ar servil do lisboeta

o ar por aqui me irvo do lisboeta

o ar eu cá não vi nada do lisboeta

o ar portagem do lisboeta

o ar esnègabar do lisboeta

o ar jardim cinema do lisboeta

o ar crise de teatro do lisboeta

o ar é natal é natal do lisboeta

o ar estufa fria do lisboeta

o ar padre cruz do lisboeta

o ar mártires do lisboeta

o ar conjuntura do lisboeta

o ar ultramar do lisboeta

o ar tecnolírico do lisboeta

o ar você do lisboeta

o ar donamélia do lisboeta

o ar alentejano do lisboeta

o ar chico esperto do lisboeta

o ar sector um do lisboeta

o ar monsanto do lisboeta

o ar transístor do lisboeta

o ar trombudo do lisboeta

o ar lisbonudo do lisboeta

o ar matraquilhos do lisboeta

o ar agenda do lar do lisboeta

o ar et pluribus unum do lisboeta
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in Anos 70 Poemas Dispersos, Assírio & Alvim, 2009


Sábado, Junho 27

Como é que na nossa vida, uma coisa conduz a outra?


De Thomas Hobbes e Adam Smith à investigação moderna sobre o tráfego rodoviário e o funcionamento dos mercados, contemplando àreas tão distintas como a economia, a sociologia e a psicologia, Philip Ball mostra-nos como somos afectados, exactamente, pelo comportamento dos outros. Existirão «leis naturais» a reger a realidade humana? E como é que, na nossa vida, as coisas se encadeiam?
---
Título: Massa Crítica
Autor: Philip Ball
Tradução: José Luís Malaquias
Edição: Gradiva, 2009
ISBN: 9789896162962
PVP: 45,00€
(Prémio Aventis)

Sexta-feira, Junho 26

Curiosidade literária

Breath, considerada a obra mais curta da literatura (neste caso uma peça de teatro) escrita em 1969 por Samuel Beckett.

Quinta-feira, Junho 25

Os livros autoritários

A propósito do lançamento do livro O arco de Nemrod de Teresa Salema, editado pela Sextante, João Rodrigues (editor) emite uma opinião muito interessante sobre um determinado tipo de livros a que dá o nome de livros autoritários:

Prepare as suas férias lendo

Com a aproximação das férias, aumenta a preocupação com as calorias a mais que se tem para mostrar na praia. Não sei se já repararam, mas as pessoas que estão ligadas aos livros - livreiros, editores, escritores, críticos, tradutores, revisores etc. (com raríssimas e honrosas excepções) - não são pessoas gordas, muitas são até magras. Isso deve-se ao facto de as actividades ligadas aos livros absorverem calorias.

Deixo-vos uma lista dos conselhos, que podem desde já pôr em prática:

- Ir a uma livraria a pé e comprar um saco cheio de livros – 500 calorias por hora
- Arrumar os livros numa estante – 450 cph
- Escrever, traduzir, rever um livro – 450 a 400 cph
- Ler um mau livro – de 400 a 350 cph (consome mais calorias do que ler um bom livro, mas é muito prejudicial para a sua saúde mental)
- Ler um bom livro – 300 a 250 cph
- Ler a contracapa e as badanas – 50 cph
- Folhear um livro – 25 cph
- Pegar num livro – 15 cph

Nota: Existem outras actividades ligadas aos livros que absorvem muitas calorias, como por exemplo: engolir sapos ou bater a cabeça contra a parede, mas isso são contas de outro rosário.
-
Jaime Bulhosa

Quarta-feira, Junho 24

História do Jazz


«as histórias do jazz são todas iguais
quando o não são são muito pouco diferentes
mais um episódio ali uma data acolá
um acontecimento vivido uma correcção descoberta
jazz como filho da época das realidades económicas políticas vigentes
de como o jazz dos anos vinte de armstrong foi diferente
do jazz dos anos trinta de ellington
do dos quarenta de parker
do free dos sessenta e dos noventa

sendo esta a primeira história de jazz escrita em português
sendo o jazz uma arte não popular
sem culpa própria que não seja ser linguagem musical estranha
porque vinda de outras origens culturais
esta história deve ser breve de iniciação
fatalmente com faltas
deve ser uma história para principiantes e para bisbilhoteiros
simples e clara que tente esclarecer e desfazer erros e confusões
uma pequena história
para que jazz conste

jazz não tem ainda um século mas por lá próximo anda
é uma música que tem vivido a uma velocidade grande
a cada década seu estilo
a cada estilo vários génios
é assim aliciante contar a sua história por estilos
cada passo estético em consonância com o acidentado correr do tempo
com avanços e recuos
a própria tecnologia se meteu com o jazz e ele com ela
rock cordas percussão afro-cubana colaboraram colaboram
jazz é a primeira música de fusão de variadas fusões
música de criação e consumo instantâneo
floresta de estilos em coabitação permanente

jazz afinal uma palavra que quer dizer nada
como joão»











Edição: Sextante
Autor: José Duarte
Design: Atelier Henrique Cayatte
ISBN:9789898093882
PVP: 15.00€

(Podem lê-lo a ouvir Miles Davis & John Coltrane "So What" 1959)



Terça-feira, Junho 23

Apanhado



Uma conversa entre o Vasco, de 6 anos, e o Afonso, de 12 anos.

Afonso: Vasco, esse livro que estás a ver ainda não é para a tua idade.

Vasco: Mas eu já tenho 6 anos.

Afonso: 6 anos… eh, eh, eh, e ainda tanta coisa que não sabes da vida.

Vasco: Ai é! O quê, por exemplo?

Afonso: Sabes por acaso o que é uma raiz quadrada?

Vasco: Não, nem nunca ouvi falar.

Afonso: Bem… eu também não, mas já ouvi falar.

Pai: Afonso! Isso é matéria de Matemática que deste este ano.

Afonso: Ups!
-
Jaime Bulhosa

Segunda-feira, Junho 22

Arrepios para estas noites tão quentes

Irresistíveis e imperdíveis estes dois livros de Lázaro Covadlo, com uma edição preciosa da Livros de Areia.
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Isabel Nogueira
Era uma vez... um homem que, após cortar a pata de um gafanhoto numa noite de Verão, perdeu ao longo da vida todos seus membros. Um outro que cria que num sonho de infância, algures no País das Maravilhas, teria estado o acesso à fortuna que nunca veio. Outro ainda que viu a sua vida desenrolar-se no ecrã de uma decadente sala de cinema das Caraíbas. E um outro que acreditava que o homem que o impediu de siucidar-se, certa noite em Mar del Plata, era o Diabo... ao todo, doze buracos negros, doze entradas num universo tão perigoso e distorcido quanto turculento e irresistível. Cuidado, leitor, pois já entrou...
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Título: Buracos Negros
Autor: Lázaro Covadlo
Tradução: F. J. Carvalho
Capa: Pedro Marques sobre desenhos de John Tenniel
Edição: Livros de Areia, 2009
ISBN:9789898118066
PVP:15,00€

Certa noite de Inverno, Dionísio Kauffman, eterno fracassado, ouve uma voz dentro da cabeça, e a sua vida não mais será a mesma: uma pulga milenar, tagarela e voraz, alojada no seu ouvido, dita-lhe o que deve fazer para sair da sua senda de miséria. Mas a pulga exige algo em troca...
Esta obra, um conto-moral-sem-lição-de-moral, em que o fantástico convive com um humor implacável, confirmou o seu autor como uma referência nas letras ibéricas.
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Título: Criaturas da Noite
Autor: Lázaro Covadlo
Tradução: F. J. Carvalho
Capa: Pedro Marques a partir de um detalhe de Ghost of a Flea de William Blake
Edição: Livros de Areia, 2007
ISBN:9789899517851
PVP:15,00€

Hoje pelas 18h30



Sexta-feira, Junho 19

Ainda o Culturómetro

Temos recebido alguns e-mails onde nos perguntam em que consiste exactamente o Culturómetro. O Culturómetro (deve ler-se «cultura-ó-metro») é um instrumento científico que mede determinados indicadores, avaliando a relação directa entre o que as pessoas lêem e o seu nível cultural. Para além disso, é uma espécie de detector de mentiras, pois filtra o que as pessoas dizem que lêem, dizendo-nos aquilo que efectivamente lêem. Recordamos que os índices de leitura em Portugal são de um livro por ano per capita. Um dos objectivos do Culturómetro é transformar Portugal num país de nerds (com a conotação positiva do termo, isto é, uma pessoa que tem fascínio pelo conhecimento ou tecnologia.)


Nota: Não pretendemos que as pessoas se revejam nos resultados apresentados neste post, já que não foram ainda submetidas à avaliação do Culturómetro.

3 vezes 3

333 é o número de exemplares do manuscritro de Soror Flâmula do Mosteiro de Santa Maria Madalena, em Portugal que Darius Waerminger imprimiu: "Uma quantidade exuberante, excessiva".
"Chegado aos cinquenta e cinco anos, trinta de impressor, Darius Waerminger era Jacob contra o Anjo: imprimia furiosamente, para resgatar do silêncio e da memória tantas coisas que ficariam perdidas.
são os livros que te escolhem - não és tu que escolhes os livros, o livro é um mundo à procura do seu leitor"
Agora que o livro, pelo qual sabia que toda a vida esperara, finalmente o tinha encontrado, Darius Waerminger «Orgulhosamente tinha impresso no colophon "non sumptibus", impresso sem apoios. Gostava que o mundo soubesse que fizera aquela loucura, impressa em grifos caros, completamente sozinho.»
Podemos agora nós conhecer o destino destes 333 livros e dos seus leitores que o poeta Pedro Sena-Lino nos relata, neste seu primeiro romance, editado pela Porto Editora.
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Título: 333
Autor: Pedro Sena-Lino
Capa: Ricardo Moura
Edição: Porto Editora, 2009
ISBN: 9789720042743
PVP: 15,90€
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Isabel Nogueira

Quinta-feira, Junho 18

Culturómetro


A Pó dos livros teve acesso exclusivo a um novo instrumento científico resultante de um extenso e minucioso estudo, levado a cabo pelos principais cientistas e investigadores das melhores universidades do país. Este instrumento mede a relação entre o número de livros lidos por ano e o nível cultural. Apresentamos aqui, em primeira mão, os resultados do Culturómetro.

Nota: Consideramos que este instrumento tem algumas limitações, pois não contabiliza as leituras de blogues, do facebook, do twitter, de jornais ou revistas do jetset. Peca também por apenas medir a quantidade de livros lidos por ano, não tendo em conta a qualidade. Enfim, são os instrumentos que temos.

O BÁSICO - de 0 a 0 livros por ano
Características: De raciocínio lento, não consegue verbalizar um pensamento de forma minimamente estruturada.
Culturalmente: Uma nulidade.

O IGNORANTE – de 0 a 1 livro por ano
Características: Pouco mais consegue do que verbalizar ideias feitas.
Culturalmente: Conhece os nomes dos presidentes do Benfica, Porto e Sporting.

O DESINTERESSANTE – de 1 a 5 livros por ano
Características: Verbaliza as ideias de forma estruturada, mas não tem opinião própria.
Culturalmente: Conhece os nomes dos presidentes do Benfica, Porto e Sporting e ainda os nomes do presidente da República e do primeiro-ministro.

THE ORDINARY PEOPLE – de 5 a 10 livros por ano
Características: É bilingue, tem opinião, verbaliza de forma cuidada e inteligente.
Culturalmente: Conhece os nomes dos presidentes da República, primeiros-ministros e ministros dos principais países europeus.

O INTELECTUAL – de 10 a 20 livros por ano
Características: É pago para ser ouvido e tem opinião sobre tudo.
Culturalmente: Sabe tudo o que os outros sabem, para além daquilo que os outros não querem saber. Faz questão de saber os nomes dos presidentes do Benfica, Porto e Sporting.


O ERUDITO – de 20 a 40 livros por ano
Características: Rápido, eloquente, com ideia próprias e poliglota.
Culturalmente: Conhece os nomes dos presidentes, reis e rainhas dos 27 países da Europa, bem como do resto do mundo. Recusa-se a saber os nomes dos presidentes do Benfica, Porto e Sporting.

O NERD – de 40 a ∞ livros por ano
Características: Sem dados (ninguém o vê, porque está sempre escondido atrás de um livro).
Culturalmente: Não tem vida social de espécie alguma.
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Jaime Bulhosa

Elegia para um americano

Ao tentarem pôr ordem na casa do pai recém-falecido, Eric e a irmã, Inga, descobrem um bilhete de uma mulher desconhecida. Algo no teor desse bilhete indicia que um segredo do passado continuava a atormentar Lars. Erik vê na solução desse enigma o derradeiro acto de aproximação a um homem que nunca compreendeu, mas tanto a vida dele como a de Inga estão a atravessar fases muito complicadas. Inga, viúva de um escritor famoso, está disposta a tudo para defender a reputação do marido e reaproximar-se da filha, Sonia, terrivelmente marcada pela memória dos atentados do 11 de Setembro. Por seu lado, Erik materializa a sua própria solidão num mantra espontâneo que o embaraça mas em relação ao qual nada pode – “Sinto-me tão só”, repete ele, mas poderiam ser todas as personagens desta Elegia a dizê-lo; nova-iorquinos solitários, perdidos no frenesim da grande metrópole, entregues aos seus segredos, memórias e sonhos, incapazes de qualquer acto de reconforto.
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Nota: Não, não vamos dizer que a autora é mulher do Paul Auster.

Edição: Asa
Autor: Siri Hustvedt
N.º Pág. 288
Isbn:9789892304793
PVP: 16.00 €

Quarta-feira, Junho 17

Curiosidade literária



Celebrando 1227º aniversário da morte do grande poeta Li Po (701-762) deixamo-vos esta breve biografia:

Li Po, pronuncia-se pó, é, por isso mesmo, o poeta chinês fetiche da Pó dos Livros. Considerado o maior da dinastia Tang, conhecido como o poeta imortal, encontra-se entre os mais respeitados da história da literatura chinesa. Aproximadamente mil poemas seus subsistem nos nossos dias. O mundo ocidental conheceu parte dos seus trabalhos através de traduções livres realizadas por Ezra Pound, a partir de versões já traduzidas em japonês. Li Po é tão conhecido pela sua imaginação extravagante e pelas imagens taoístas da sua poesia como pelo seu amor excessivo à bebida. Diz-se que não escrevia nem viajava sem estar bêbado, tendo inclusive recebido do imperador Ming Huang uma pensão que incluía bebidas grátis sempre que viajava. Até a sua morte está carregada de poesia, conta-se que ao viajar de barco no rio Yangzi se afogou ao tentar beijar o reflexo da Lua na água. Nós, depois de aturadas pesquisas, desconfiamos que morreu de cirrose.
Jaime Bulhosa

Pensamento do dia


«Qual é, de entre todas as coisas do Mundo, a mais longa e a mais curta, a mais rápida e a mais lenta, a mais divisível e a mais extensa, a que mais se despreza e a que mais se tem pena de perder, sem a qual nada pode fazer-se, que devora tudo que é pequeno e que revigora tudo o que é grande?»

Voltaire

Terça-feira, Junho 16

Sinal dos tempos



O Vasco lê um livro que é como quem diz, vê os bonecos. A meio da leitura fecha o livro e deixa-o de lado.

- Então, não estás a gostar do livro?

- Não é isso pai, pus na pausa.

Jaime Bulhosa

Maioria absoluta

É com agrado que verificámos que o blogue da Pó dos Livros ganhou o prémio BLIBE para o melhor blogue de uma Editora ou Livraria, com uma maioria de 56% dos votos. Maioria que Sócrates ou Manuela nem nos seus mais wild dreams se atreveriam.

Política, Auto-ajuda, Ciência, Psiquiatria - as secções de Pedro Mexia.


À semelhança de uma biblioteca, os livros numa livraria devem ser classificados e posteriormente arrumados nas respectivas secções, de forma que o leitor ou o próprio livreiro possa vir a encontrá-los facilmente no meio de milhares de outros livros. Esta tarefa pode ser mais complicada do que parece à primeira vista. Em primeiro lugar, porque nem sempre o tema do livro é facilmente identificado, ou porque o livro não versa apenas sobre um tema, ou então não é de todo classificável. Em segundo lugar, a classificação de um livro, em muitos casos, requer mais do que a simples leitura do título. Ora, é aqui que se encontra o busílis para os livreiros mais apressados.
Arrumar livros conhecendo apenas os seus títulos dá azo a situações deveras caricatas, como no caso daqueles cuja arrumação pode ser já considerada um clássico: a Confissão de Lúcio, de Mário de Sá-Carneiro, obra capaz de assustar qualquer freira mais desprevenida, arrumado na religião; Arte de Jardinar, de Y.K. Centeno, arrumado não preciso dizer onde.
Mais recentemente, encontrei numa livraria de renome o Efeito Borboleta, de José Mário Silva, arrumado na secção de divulgação científica. Há uns dias, na Fnac de Santa Catarina, no Porto, encontrava-se o último livro de Pedro Mexia – Estado Civil. Diário de Uma Crise, baseado no blogue Estado Civil - arrumado junto dos livros Os Anos Sócrates, de Fernando Sobral, e o Manifesto do Partido Comunista, de Karl Marx. Percebo a confusão: as palavras Crise e Estado devem ter ajudado a transformar Pedro Mexia num politólogo (não é por acaso que ele faz parte do programa de rádio Governo Sombra). Já agora, não me custa nada acreditar que outros livros de Mexia se encontrem em lugares surpreendentes: Nada de Melancolia na secção de auto-ajuda; Prova de Vida junto de A Origem das Espécies, de Charles Darwin; Fora do Mundo na psiquiatria ou ainda o Em Memória na secção dos obituários.
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Jaime Bulhosa

Segunda-feira, Junho 15

Passeio noturno


Cheguei em casa carregando a pasta cheia de papéis, relatórios, estudos, pesquisas, propostas, contratos. Minha mulher, jogando paciência na cama, um copo de uísque na mesa de cabeceira, disse, sem tirar os olhos das cartas, você está com um ar cansado. Os sons da casa: minha filha no quarto dela treinando impostação de voz, a música quadrifônica do quarto do meu filho. Você não vai largar essa mala?, perguntou minha mulher, tira essa roupa, bebe um uisquinho, você precisa aprender a relaxar.
Fui para a biblioteca, o lugar da casa onde gostava de ficar isolado e como sempre não fiz nada. Abri o volume de pesquisas sobre a mesa, não via as letras e números, eu esperava apenas. Você não pára de trabalhar, aposto que os teus sócios não trabalham nem a metade e ganham a mesma coisa, entrou a minha mulher na sala com o copo na mão, já posso mandar servir o jantar?
A copeira servia à francesa, meus filhos tinham crescido, eu e a minha mulher estávamos gordos. É aquele vinho que você gosta, ela estalou a língua com prazer. Meu filho me pediu dinheiro quando estávamos no cafezinho, minha filha me pediu dinheiro na hora do licor. Minha mulher nada pediu, nós tínhamos conta bancária conjunta.Vamos dar uma volta de carro?, convidei. Eu sabia que ela não ia, era hora da novela. Não sei que graça você acha em passear de carro todas as noites, também aquele carro custou uma fortuna, tem que ser usado, eu é que cada vez me apego menos aos bens materiais, minha mulher respondeu.
Os carros dos meninos bloqueavam a porta da garagem, impedindo que eu tirasse o meu. Tirei os carros dos dois, botei na rua, tirei o meu, botei na rua, coloquei os dois carros novamente na garagem, fechei a porta, essas manobras todas me deixaram levemente irritado, mas ao ver os pára-choques salientes do meu carro, o reforço especial duplo de aço cromado, senti o coração bater apressado de euforia. Enfiei a chave na ignição, era um motor poderoso que gerava a sua força em silêncio, escondido no capô aerodinâmico. Saí, como sempre sem saber para onde ir, tinha que ser uma rua deserta, nesta cidade que tem mais gente do que moscas. Na avenida Brasil, ali não podia ser, muito movimento. Cheguei numa rua mal iluminada, cheia de árvores escuras, o lugar ideal. Homem ou mulher? Realmente não fazia grande diferença, mas não aparecia ninguém em condições, comecei a ficar tenso, isso sempre acontecia, eu até gostava, o alívio era maior. Então vi a mulher, podia ser ela, ainda que mulher fosse menos emocionante, por ser mais fácil. Ela caminhava apressadamente, carregando um embrulho de papel ordinário, coisas de padaria ou de quitanda, estava de saia e blusa, andava depressa, havia árvores na calçada, de vinte em vinte metros, um interessante problema a exigir uma grande dose de perícia. Apaguei as luzes do carro e acelerei. Ela só percebeu que eu ia para cima dela quando ouviu o som da borracha dos pneus batendo no meio-fio. Peguei a mulher acima dos joelhos, bem no meio das duas pernas, um pouco mais sobre a esquerda, um golpe perfeito, ouvi o barulho do impacto partindo os dois ossões, dei uma guinada rápida para a esquerda, passei como um foguete rente a uma das árvores e deslizei com os pneus cantando, de volta para o asfalto. Motor bom, o meu, ia de zero a cem quilômetros em nove segundos. Ainda deu para ver que o corpo todo desengonçado da mulher havia ido parar, colorido de sangue, em cima de um muro, desses baixinhos de casa de subúrbio.
Examinei o carro na garagem. Corri orgulhosamente a mão de leve pelos pára-lamas, os pára-choques sem marca. Poucas pessoas, no mundo inteiro, igualavam a minha habilidade no uso daquelas máquinas.
A família estava vendo televisão. Deu a sua voltinha, agora está mais calmo?, perguntou minha mulher, deitada no sofá, olhando fixamente o vídeo. Vou dormir, boa noite para todos, respondi, amanhã vou ter um dia terrível na companhia.


Ruben Fonseca
in Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século XX
Edição: Objetiva

Sexta-feira, Junho 12

Chico Buarque - Leite Derramado


Um homem muito velho está num leito de hospital. Membro de uma tradicional família brasileira, ele desfia, num monólogo dirigido à filha, às enfermeiras e a quem quiser ouvir, a história da sua linhagem, desde os ancestrais portugueses, passando por um barão do Império, um senador da Primeira República, até ao tetraneto, um jovem do Rio de Janeiro actual. Uma saga familiar caracterizada pela decadência social e económica, tendo como pano de fundo a história do Brasil dos últimos dois séculos.

Autor: Chico Buarque
Editora: Dom Quixote
ISBN: 978-972-20-3838-6
Páginas: 224
Dimensões: 15,5 x 23,5
Colecção: Autores de Língua Portuguesa
Ano de Edição: 2009
Encadernação: Brochado
Preço com IVA: 14.00 €

Terça-feira, Junho 9

Pensamento do dia


«Existe em determinados livros uma estupidez tão sincera que, melhor orientada, poderia multiplicar o número de obras-primas.»

Livreiro anónimo a partir de um pensamento de E.M.Cioran

Segunda-feira, Junho 8

História da Primeira República Portuguesa




«Propomos, neste volume, vários entendimentos para essa curta mas rica e complexa República de 16 anos que, longe de ser a aurora emancipadora e progressista que os seus apologistas e apoiantes anunciavam, desejavam e por que se bateram, acabou por se transformar na conturbada crise terminal do liberalismo português a que sucederia o longo ciclo de autoritarismo. Como venceu a República em 1910? Que contradições, que dificuldades viveu, como as resolveu, ou não, até à terrível aventura da participação na Grande Guerra? Que projectos delineou, que portas abriu ou tentou abrir nos vários campos em que procurou apostar? E como renasceu do pós-guerra, após o breve mas premonitório intervalo sidonista? Que República ou que repúblicas e anti-repúblicas foram essas que então se realinharam, também em Portugal, para a grande batalha social e política que anunciava na Europa a época dos fascismos? Afinal, porque venceu e porque morreu a Primeira República? E o que ficou dela como património de memória e reflexão para a democracia de hoje?»

Da Introdução
*
Edições tinta-da-china
Coordenação: Fernando Rosas e Maria Fernanda Rollo
Isbn: 9789728955984
Pvp: 29.90 €

Sábado, Junho 6

Porque hoje é sábado e estamos abertos. Dia dos clientes... difíceis

- Bom dia. Eu queria o livro sobre o maior genocídio alguma vez praticado.

- Temos diversos sobre o holocausto…?

- Quem falou no holocausto, eu refiro-me ao maior assassinato da história da humanidade.

- Podia ser um pouco mais específico?

- Refiro-me ao assassinato por Deus de toda a população do mundo, excepto Noé e os seus sete familiares. (Génesis 6, 7)
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Jaime Bulhosa

Se a Wikipédia fosse impressa...


Naufrágio de Sepúlveda



Vasco Graça Moura conta-nos o naufrágio financeiro de um empresário, nas vésperas do 25 de Abril de 1974. Os nomes das personagens da família do protagonista, Manuel de Sousa Sepúlveda, coincidem com os nomes da família do infeliz navegador do século XVI, narrado na História Trágico-Marítima. Neste romance, onde se conta a história de um homem que tenta “salvar o barco” da sua empresa, no contexto da “batalha naval nas águas da banca portuguesa” (num momento crucial da história nacional, o fim do fascismo e o período mais turbulento da Revolução de Abril), há sempre elementos simbólicos do próprio naufrágio nacional. Publicado pela primeira vez em 1988, Naufrágio de Sepúlveda mantém-se actual.

Edição: Quetzal
ISBN: 9789725648049
Número de Páginas: 176
PVP: 16.90€

Sexta-feira, Junho 5

Como tornar-se um leitor em 10 passos.


1.º – Escolha uma data para começar a ler e respeite-a.

2.º – Evite começar por livros considerados literatura light, pois embora o nome seja encorajador não reflecte de todo a realidade e pode destruir a melhor das intenções.

3.º – Livre-se de todos os telemóveis, playstation, dvd’s e afins que tenha por perto.

4.º – Depois de começar a ler não pode parar sem, pelo menos, chegar ao fim do primeiro capítulo; deixá-lo a meio aumenta consideravelmente o risco de desistir antes mesmo de ter começado.

5.º – Para se auto-motivar, pense muitas vezes em todos os benefícios da leitura.

6.º – Peça às pessoas que estão à sua volta que não bocejem nem se deitem no sofá a ver os programas de televisão que passam em horário nobre.

7.º – Peça ajuda a um profissional - pode ser um livreiro, um editor, um professor, etc. – ou participe em fóruns e blogues da especialidade. Estas comunidades de leitores ajudá-lo-ão a integrar-se mais facilmente na sua nova realidade.

8.º – Mude de hábitos, a fim de evitar locais onde possa conviver com pessoas completamente desinteressantes.

9.º – Não faça pausas muito grandes e complemente-as com a leitura de um jornal, revista, de banda desenhada ou de uma história infantil.

10.º – Parabéns. Se chegou até aqui é porque já é um leitor. No entanto, evite os entusiasmos exagerados, como, por exemplo, passar a considerar-se um intelectual.
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Boas leituras

Quinta-feira, Junho 4

O conhecimento é finito e limitado!


- Pai, o céu tem tecto?

Comecei o dia com esta pergunta do Vasco, daquelas perguntas que uma resposta simples, como um não, já não satisfaz, tendo em conta a curiosidade de uma criança de 6 anos. No entanto, nesta idade, as crianças ainda julgam que os pais têm sempre resposta para tudo.
Usei todo o meu conhecimento wikipédico e tentei explicar-lhe, de uma forma simples, que existem várias teorias sobre a concepção do universo físico, e identifiquei duas correntes: uma segundo a qual o universo é infinito, ilimitado no espaço e no tempo; outra segundo a qual ele é espacialmente finito mas não limitado, ou seja, é como se fosse uma esfera que se pode percorrer em todas as direcções sem que nunca se encontre um limite.

- Ok, pai, já percebi que não me vais saber responder porque é que acordo todos os dias com ramelas nos olhos.

Jaime Bulhosa

Nota: Uma sugestão de leitura bem disposta.

Um percurso na história do pensamento pelos ditos dos grandes filósofos. A filosofia é compatível com o humor? É possível aprender filosofia a rir? Neste livro, o leitor é convidado a uma viagem pela história da filosofia e pelas vidas dos filósofos, em que se deparará com o mau humor da mulher de Sócrates, os sonhos de Maquiavel, as opiniões de Kant sobre o casamento, as desapiedadas observações de Nietzsche, a dedução lógica de Russell (de que ele e o papa são a mesma pessoa) e a agressividade de Wittgenstein de atiçador na mão. Aristipo dispôs que na lápide do seu sepulcro se gravasse a seguinte inscrição: «Aqui repousa quem vos aguarda».

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Edição: Planeta
Autor: Pedro González Calero
PVP: 14.94€
ISBN: 9789896570095
N.º de Páginas: 176

Quarta-feira, Junho 3

Privilegiados...


Edita-se demais?

Em média, as livrarias portuguesas têm capacidade para vender cerca de 30 mil livros por ano. Tendo em conta que 50 por cento do que vendem são novidades, isto é, livros com menos de 12 meses, quer dizer que se poderiam vender em cada livraria aproximadamente 15 mil novos títulos por ano. Assumindo que se vendem em cada livraria pelo menos três exemplares de cada novidade, esse número reduz para apenas cinco mil os novos títulos. Sabendo que em Portugal se editam cerca de 16 mil novos títulos, sobram 11 mil títulos.

Concluindo: quando um editor ou autor vir uma das suas novidades exposta numa qualquer livraria é bom que tenha a noção de que é um privilegiado.
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Jaime Bulhosa

Extraordinary Records



Uma recolha muito original, realizada em colabroração com a prestigiada revista Colors, dá um novo significado ao termo album art. O que esta obra apresenta, contrariamente ao que estamos habituados, não são as capas de discos, mas os próprios discos, numa panóplia de cores e desenhos. Neste livro são apresentados mais de 400 discos, propriedade do vencedor do Guiness, o coleccionador Alessandro Benedetti.

Edição: Taschen
PVP:33,00 € - Brochado
Formato: 240 x 240 – 432 pp
EAN 9783836507301

Terça-feira, Junho 2

Veneza - Jan Morris

«Jan Morris é hoje o nome mais importante de entre os autores vivos de literatura de viagens. Nas palavras de Paul Theroux, outro dos grandes escritores viajantes do nosso tempo, é "um dos maiores escritores descritivos da língua inglesa". De hoje e de sempre, depreende-se. Por isso ele lhe chama também "um génio da viagem".
O livro que tem nas mãos, caro leitor, é já um clássico. Publicado originalmente há meio século, é muitas vezes referido como o livro sobre Veneza. Nele, Jan Morris entrelaça o H grande da História com um apuradíssimo sentido de observação para o h pequeno das histórias do quotidiano. É assim – para dar apenas um exemplo comezinho – que ficamos a saber porque há tantos gatos e porque deixou de haver cavalos em Veneza.
A autora, que publicou pela primeira vez este livro, em 1960, ainda com o nome de James Morris e cuja mudança de sexo na década seguinte acrescentou notoriedade à sua já famosa carreira jornalística, é uma figura extraordinária também por razões biográficas. É numa permanente inquietação da viagem que Jan Morris, percorrendo o mundo para o interpretar, tenta revelar o enigma dos lugares que visita tal como se propõe desvendar o seu próprio enigma interior. "Por vezes, rio abaixo, quase penso que o consigo; mas então a luz muda, o vento vira, uma nuvem atravessa-se à frente do sol e o significado de tudo isto volta uma vez mais a escapar-me."»

Carlos Vaz Marques

Tema: Literatura de Viagens
Tradução: Raquel Mouta
Prefácio: Carlos Vaz Marques
Coordenação: Carlos Vaz Marques
1.ª edição: Junho de 2009
N.º de páginas: 440
Isbn: 9789896710002
pvp: 21.9 euros

Domingo, Maio 31

Dia Mundial da Criança

Porque acho que um livro e um grande abraço é a melhor prenda que se pode dar no dia mundial da criança, aqui fica uma listagem cheia de sugestões para todos os gostos e feitios. Aproveitem o dia.

Para os faladores - "És mesmo tu", Isabel Minhós Martins e Bernardo Carvalho, Planeta Tangerina.

Para os músicos - "A aula de Tuba", T.C. Bartlett, Gatafunho.

Para os que gostam de peixes - "O Aquário", João Pedro Mésseder e Gémeo Luís, Deriva; "Nadadorzinho" Leo Lionni, Kalandraka e "O Polvo Coceguinhas", Ruth Galloway, Minutos de Leitura.


Para os sonhadores - ""Um dia normal de escola", Colin Mcnaughton e Satoshi Kitamura, Gatafunho.

Para os activistas - "Guia do jovem consumidor ecológico", John Elkington, Julia Hailes e Tony Ross, Gradiva; "Todos nós nascemos livres", Paulinas

Para os "non-sense" - "Baralhando histórias", Gianni Rodari, Kalandraka.

Para os criativos - "O ponto", Peter H. Reynolds, Bruáa; "Sabe-se lá como é o crocodilo...", Eva Montanari, Livros Horizonte.

Para os perguntadores - "Donde vem a pimenta", Manuela Olten e Brigitte Raab, Gatafunho.

Para os colecionadores - "A colecção", Margarida Botelho, Calendário.

Para os que gostam de lobos - ""Um lobo pela trela"Daniella Vignoli e Guido Vignoli, Livros Horizonte; "Lobo Feroz", Chené Gomez e Paracrúa Gomez, OQO e "Mais uma ovelha", Russel Ayto e Mij Kelly, Livros Horizonte.

Para os irmãos - "Tucha e Bicó", Leonor Praça, Plátano; "Fred e Maria", Rita Taborda Duarte e Luís Henriques, Caminho.
Para os bem-humorados - "28 histórias para rir", Ursula Wolfel e João Vaz de Carvalho, Kalandraka.

Para os solidários - "O incrível Sr. Zooty", Emma Chichester Clark, Gatafunho.

Para os piratas - "Ilha do Tesouro", Robert Louis Stevenson, François Roca, Porto Editora; "Piratologia", Livros Horizonte e "Piggy Wiggy Pirata", Christyan Fox e Diane Fox, Minutos de Leitura.

Para os partilhadores - "Os presentes", Maria Keil, Livros Horizonte.

Para os sem palavras - "O Balãozinho vermelho", Iela Mari, Kalandraka e "Ah", Josse Goffin, Kalandraka.


Para os cientistas - "O novo mundo do Sr.Tompkins", Russell Stannard e George Gamow, Gradiva e "O tempo e o espaço do tio Alberto", Russell Stannard, Edições 70.

Para os evolucionistas - "Henriqueta a tartaruga de Darwin", José Jorge Letria e Afonso Cruz, Texto Editora; "A árvore da vida", Peter Sís, Terramar e "Darwin e a verdadeira história dos dinossauros", Luca Novelli, Gatafunho.

Para os comichosos - "Os piolhos do miúdo e os miúdos do piolho", Rita Taborda Duarte e Luís Henriques, Caminho.

Para os aflitos - "Está um hipopótamo na minha cama", Beatrice Masini e Pia Valentinis, Livros Horizonte e "Chau, chau penico!", Benoît Charlat, Gailivro.

Para os inventores - "Um dia na praia", Bernardo Carvalho, Planeta Tangerina e "As ideias da Bia", Elisabeth Baguley e Gregoire Mabire, Minutos de Leitura.

Para os que gostam de monstros - "Um pesadelo no meu armário", Mercer Mayer, Kalandraka.

Para os informáticos - "A bruxa Mimi e o computador", Valerie Thomas e Korky Paul, Gradiva.

Para os disparatados - "Hipopótamo porcalhão", Gatafunho, "A toupeira que queria saber quem lhe fizera aquilo na cabeça", Werner Holzwarth e Wolf Erlbruch, Kalandraka.

Para os rurais- "200 Amigos (ou mais) para uma vaca", Alessia Garili e Miguel Tanco, Livros Horizonte; "Ainda nada", Christian Voltz, Kalandraka.

Para os que se acham "os maiores" - "As quatro maçãs", David McKee, Gatafunho.

Para os vagarosos e para os apressados - "A lebre e a tartaruga", Helen Ward, Caminho.

Para os viajantes - "As duas estradas", Isabel Minhós Martins e Bernardo Carvalho, Planeta Tangerina; "As viagens de Gulliver", Jonathan Swift, Vega.


Para os que fazem perguntas difíceis - "O livro dos grandes opostos filosóficos", Oscar Brenifier e Jacques Després, Edicare; "Para onde corre a raça humana", Jamie Lee Curtis, Quasi e "A grande questão", Wolf Erlbruch, Bruáa.

Para os bibliófilos - "Sara e o gigante das histórias", Laurence Bourguignon, Minutos de Leitura; "O incrível rapaz que comia livros", Oliver Jeffers, Orfeu Negro e "A biblioteca mágica", Jostein Gaarder, Presença.

Para as princesas e fadas - "Fada-bruxa", B. Mine e Carl Cneut, Kual ; "A princesa que bocejava a toda a hora", Elena Odriozola e Carmen Gil, OQO;"A princesa baixinha", Beatrice Masini e Octavia Monaco, Livros Horizonte; "O Feiticeiro de Oz", Frank L. Baum e Lizbeth Zwerger, Ambar.

Para os cavaleiros - "Como ser um cavaleiro", Livros Horizonte e "Joana e o dragão", Cristina Lastrego e Francesco Testa, Presença.

Para os injustiçados - "É tão injusto!", Pat Thomson e Jonathan Allen, Gatafunho.

Para os que não gostam de comer - ""Ssschlep", João Pedro Mésseder e Gémeo Luís, Edições Eterogémeas; "Come a sopa, Marta", Marta Torrão, Bichinho de conto.

Para os artistas - "Pablo o pintor", Satoshi Kitamura, Gatafunho, "Moncho e a mancha", Kiki Dasilva"Kalandraka.

Para os historiadores - "Uma pequena história do mundo", E.H. Gombrich, Tinta da China e "História ilustrada das grandes Descobertas", Clarke Hutton, Bertrand.

Para os cantadores - "Sementes de Música", Paulo Ferreira Rodrigues e Ana Maria Ferrão, Caminho e "Canta o galo gordo", Gonçalo Pratas, Inês Pupo e Cristina Sampaio, Caminho.

Para os que gostam de histórias passadas na Floresta - "Contos da Mata dos Medos", Álvaro Magalhães e Cristina Valadas, Assírio & Alvim e "O Vento nos Salgueiros", Tinta da China.

Para os corajosos - "Grufalão", Julian Donalson, Verbo e "O pequeno livro dos medos", Sérgio Godinho, Assírio & Alvim.

Para os que gostam de histórias muito divertidas - "O nabo gigante", Niamh Sharkey e Alexis Tolstoi, Livros Horizonte; "Pau de Giz", Marije Tolman e Iris van der Heide, Gatafunho e "O rapaz dos hipopótamos", Steven Kellog e Margaret Mahy, Livros Horizonte .

E para ti?

Débora Figueiredo

Sexta-feira, Maio 29

Infância(s)

Na contracapa do livro A Guerra Pelos Olhos Das Crianças, lê-se o seguinte:
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"O olhar da criança capta acontecimentos que nenhum adulto se lembraria de relatar.
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Em 17 de Setembro de 1939, duas semanas após a invasão da Polónia pela Alemanha, as tropas soviéticas ocuparam a parte leste da Polónia e impuseram de imediato uma nova ordem política e económica. Na sequência de um plebiscito, a mesma área foi, em princípios de Novembro, anexada à Ucrânia e à Bielorrússia. No início do Inverno de 1939-40, as autoridades soviéticas deportaram mais de um milhão de polacos, incluindo muitas crianças para as várias províncias da União Soviética. Na sequência do ataque alemão à ex-URSS no Verão de 1941, o governo polaco, exilado em Londres, foi autorizado pelo seu novo aliado a formar unidades militares com os deportados polacos e, mais tarde, a transferir cidadãos polacos para campos no Médio Oriente controlados pelos britânicos. Nesses campos as crianças puderam frequentar escolas polacas.
As 120 redacções aqui traduzidas foram seleccionadas de entre as composições que os alunos das mesmas escolas escreveram. O que torna estes documentos únicos é a percepção das testemunhas: o olhar das crianças capta acontecimentos que nenhum adulto se lembraria de relatar. Numa linguagem simples e pejada de erros ortográficos e gramaticais, as crianças registaram as suas experiências e as suas conclusões sobre a invasão e ocupação soviética, as deportações para leste e a vida nos campos de trabalho e kolkhozes. Os horrores da vida na ex-URSS formaram memórias vívidas; a privação, fome, doença e morte tornaram-se tão banais que passaram a ser aceites como qualquer facto da vida."
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Foi perante a repetição de situações destas e tantas outras, mais quotidianas mas nem por isso menos dramáticas que em 1959 a ONU aprovou a Declaração dos Direitos da Criança, no dia 29 de Novembro, que se tornaria oficialmente o Dia Universal das Crianças (embora os diversos países o comemorem em diferentes dias).
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A Guerra Pelos Olhos Das Crianças
Irena Grudzinska-Gross e Jan Tomasz Gross
Tradução: Hugo Gomes
Pedra da Lua, 2009
ISBN: 9789898142122
PVP: 22.50E
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Isabel Nogueira


Quinta-feira, Maio 28

Curiosidade literária

Mark Twain, (1835-1910)

Aproxima-se o centenário da morte de Mark Twain, nós para sermos os primeiros a assinalar a efeméride, deixamos-lhe esta curiosidade:

Mark Twain adorava o luxo e o conforto de escrever na cama. Consta que foi lá que escreveu as suas duas obras mais conhecidas, Huckleberry Finn e As aventuras de Tom Sawyer. Twain terá sido a primeira pessoa a aperceber-se que trabalhar na cama poderia ser uma ocupação muito perigosa, pois é lá que ocorrem a maior parte das mortes.
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Jaime Bulhosa

Tempo escandinavo



Nas livrarias dia 1 de Junho.

«O sol ainda está longe, pensei. Mas, ao desembrulhar o último pacote, saiu lá de dentro magicamente aureolado pela doce luminosidade do sol da meia-noite o volume de José Gomes Ferreira Tempo Escandinavo e vi-o ofuscar a lâmpada eléctrica. Apaguei o abat-jour – O livro tinha luz própria. E comecei a lê-lo. E vi Fernão Mendes Pinto em campo de neve. E o cavaleiro de Oliveira em Kristiansund, tentando vender azeite. E um Dom Quixote lusitano tomando os fiords por Torres de Belém. Tempo Escandinavo é a saudade e o remorso de um anti-herói. Mas é, acima de tudo, um grande livro. Julgo não errar afirmando que se trata de obra perfeita de José Gomes Ferreira. Se o mundo não estivesse tão conturbado, é de justiça acreditar que dentro em breve estaria traduzido em todos os idiomas. Até em brasileiro. E foi assim que ontem só me fui deitar às sete da manhã.»

Quarta-feira, Maio 27

Mirabai

Enquanto o mundo dorme
eu permaneço acordada
Num glorioso palácio de prazer
sento-me vigilante
e vejo uma rapariga abandonada
com uma grinalda de lágrimas
que passa a noite a contar
as estrelas a contar as horas
que a separam da felicidade
Se eu soubesse que
o amor e o desespero
andam sempre de mãos dadas
teria pegado num tambor
e iria proclamar pela cidade
que o amor foi banido para sempre
--- Publicado por Isabel Nogueira

Sábado, Maio 23

Uma Coisa Atrás de Outra

1.Uma palavra sucede-se a outra.

(...)

5.
Assim que Gabriel se decide a respeito dela, a sua concentração vai ao ar. Telefona-lhe. Envia-lhe cartões com flores. A situação no emprego deteriora-se. Telefona-lhe mais, envia-lhe mais flores.
- Está bem - diz ela.
Depois de fazerem amor pela primeira vez, ele repara que um dos dentes dela não está direito. Não será a última coisa em que há-de reparar.

(...)

7.
Primeiro uma palavra, depois outra. Outra, e outra. Outra folha que cai. Cai a chuva, batendo na janela com o som de quem respira. Respira comigo a escuridão enquanto nos abraçamos um ao outro. Outro temporal sacudirá a chuva, outras folhas tombarão, outras palavras cairão de nós e cá voltaremos, vezes sem conta, na esperança de encontrar precisamente aquilo que os nossos corpos esperam que digamos. Digamos outra coisa por agora. Agora diz aquilo que te vier à cabeça primeiro.

in Pequenos Mistérios, Bruce Holland Rogers, Livros de Areia, 2007



38 Miniaturas
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Pequeníssimo conto (quase bíblico)
No princípio era o Verbo. Ou outra coisa qualquer. Deus já não se lembra.
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(...)
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À la carte
Foi sincero: o que ele desejava, para usar a expressão da empregada de mesa, nunca constaria da ementa.
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(...)
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Honestidade
Ao fim da manhã, visitou o amigo no hospital e assinou-lhe o gesso (mesmo por baixo da frase: «Fui eu que te empurrei»).
--
in Efeito Borboleta e Outras Histórias, José Mario Silva, Oficina do Livro, 2008
--
Publicado por Isabel Nogueira

Sexta-feira, Maio 22

Encontro marcado na Pó dos livros


Pensamento do dia

«O primeiro autor a chamar a atenção sobre si devido ao facto de ter escrito um romance num computador foi o jornalista e escritor inglês Desmond Bagley, no princípio dos anos 70. O público e os jornalistas da época compreendiam tão pouco e eram tão ignorantes em relação aos computadores que acreditaram no boato segundo o qual o romance de Bagley fora escrito pelo seu próprio computador. Hoje em dia estamos bastante mais informados acerca das capacidades dos computadores. Sabemos que a criatividade e imaginação humanas não podem, por enquanto, ser reproduzidas pela máquina. Ainda há escritores que escrevem as suas obras à mão e outros que utilizam a máquina de escrever. Mas a verdade é que a maior parte já escreve sempre no computador. Já ninguém acredita que são os computadores que escrevem por eles. Contudo, também é verdade que os computadores disponibilizam uma ferramenta (o «copy-paste») que permite que muita gente escreva livros.»

Livreiro anónimo

João Bérnard da Costa 1935-2009

Em homenagem a João Bénard da Costa, uma das suas últimas intervenções públicas.

Quinta-feira, Maio 21

Do you read english?

Terça-feira, Maio 19

O melhor incentivo à leitura

(fotografia de Franck Juery)
Desceu a escada que dá acesso aos livros infantis a correr, não tinha mais de 9 anos, daquelas miúdas cujos olhos brilham só pela aproximação dos livros. A vontade de levar todos era imensa, mas a mãe trouxe-a à terra e lembrou-lhe que a vontade que ela tinha de ler era proporcionalmente inversa à quantidade de dinheiro disponível para comprar livros. E que só chegava para um. O ânimo não diminuiu, só não sabia qual escolher, já tinha lido aquele, o outro e também toda a colecção respectiva, tinha gostado de todos. Estava muito indecisa. A mãe nitidamente não tinha tido tanta sorte como a sua filha no que se refere ao acesso aos livros, e talvez por isso não se sentisse à vontade para escolher um.
Pede-me para lhe indicar um livro, um que dure mais do que os anteriores – «é que ela lê com uma velocidade impressionante e eu não tenho dinheiro para tantos livros». Escolhi um, um livro mais a sério, grosso, só com letras, um de que a minha sobrinha de 13 anos tinha gostado imenso. A miúda tinha nitidamente capacidade para este e para mais, se fosse preciso. Ao dar-lho para as mãos, a menina diz:
- Vou lê-lo num instante… se não, gostar posso vir trocá-lo?
Sabia que era um estratagema para poder ler mais com o mesmo dinheiro, mas respondi:
– Sim, podes.

Eu sei que é politicamente incorrecto e que na maior parte das vezes não é verdade, mas, para uma criança, o facto de os livros não estarem imediatamente à mão pode funcionar como o melhor incentivo à leitura.
*
Jaime Bulhosa

Manhattan Transfer

John Dos Passos é sem dúvida um nome incontornável da literatura norte-americana do século XX. Responsável pela introdução de técnicas literárias inovadoras e originais, inspirou toda uma nova geração de escritores e mereceu a crítica elogiosa dos seus contemporâneos. Manhattan Transfer, publicado pela primeira vez em 1925, é justamente considerado por muitos a obra mais importante do autor. Através deste livro John Dos Passos esboça um retrato fiel da América, captando o verdadeiro espírito da cidade de Nova Iorque pelo olhar, bastante próximo do registo cinematográfico, daqueles que a habitam. E, nesta galeria de personagens de todos os quadrantes socioculturais, o que nos deslumbra é a forma como as histórias de vida correm paralelas umas às outras, aproximando-se, afastando-se, ramificando-se ou perdendo-se abruptamente, como se John Dos Passos tivesse conseguido com este livro a impressão digital, única, indelével, da grande metrópole.
*
Editora: Editorial Presença
Autor: John Dos Passos
Tradução: João Martins
Data 1ª Edição: 21/04/2009
ISBN: 978-972-23-4122-6
Nº de Páginas: 416
Dimensões: 150x230mm
PVP: 20.00€

Segunda-feira, Maio 18

Professor Joaquim Furtwangler

Vídeos do lançamento do livro Estado Civil, de Pedro Mexia (Edições tinta-da-china).

Aproveitando a raríssima passagem por Portugal do Excelentíssimo Senhor Professor Dr. Joaquim Furtwangler, Pedro Mexia convidou-o para a apresentação do seu livro.
Consta que Ricardo Araújo Pereira também foi convidado, mas não pôde aparecer.
Prof. Joaquim Furtwangler

Um Taxista Lisboeta, por Pedro Mexia

Samuel Úria

Sábado, Maio 16

Convite


A Pó dos Livros e a Editora Labirinto convidam-no. para a sessão de lançamento do livro “As Flores do Caos”, da autoria do poeta e letrista brasileiro Ildásio Tavares, que terá lugar no próximo dia 16 de Maio (Sábado), pelas 16 horas, nas instalações da livraria - Av. Marquês de Tomar, n.º 89 A, Lisboa.
Como letrista, Ildásio Tavares tem músicas gravadas por Maria Bethânia, Alcione, Vinícius de Moraes, Toquinho e Maria Creuza, entre outros.
A apresentação da obra estará a cargo do escritor e poeta Casimiro de Brito.

Contamos com a sua presença

Sexta-feira, Maio 15

Só um momento



- Tem o livro a Pequena História do Tempo?

- Só um momento vou ver se ainda tenho.

- Um momento! Que quer dizer com isso? É que de acordo com a antiga medida inglesa, um momento durará cerca de meia hora. Já se for de acordo com a medida da Europa continental da Idade Média, um momento durará 1/40 ou 1/50 de hora. Contudo, se for de acordo com a recontagem dos rabinos um momento é precisamente 1/1,080 de hora. É esse o tempo que eu tenho que esperar?


Jaime Bulhosa

Hoje pelas 18h30


Apresentação: da colecção Palavra Ibérica. A colecção Reune escritores de Portugal e Espanha, em torno das diferenças e de projectos comuns. Hoje às 18h30.

Quarta-feira, Maio 13

Literatura Ibérica

Reunir escritores de Portugal e Espanha, em torno das diferenças e de projectos comuns como a Colecção Palavra Ibérica, que tem apostado na publicação de obras de autores contemporâneos em versão bilingue português/castelhano, bem como promover o encontro com o público, é o objectivo desta iniciativa pioneira que começa a ser uma referência no espaço cultural de ambos os países.
--
Na próxima sexta-feira, 15 de Maio às 18:30 horas, na Pó dos livros serão apresentadas pelos seus autores e editores, as obras: Crematório Sentimental, de Golgona Anghel, O Pequeno Almoço de Carla Bruni, de Rui Costa, Agência do Medo, de Santiago Angeded Landero e Uma Ânfora No Horizonte, de Maria do Sameiro Barroso, editados pela Livro do Dia; Privado, de Fernando Esteves Pinto, editado pela Canto Escuro; Os Animais da Cabeça, de Rui Dias Simão, da editora 4Águas.

Pensamento do dia

Adágios, frases, pensamentos, citações, sintetizam na maior parte das vezes os raciocínios complexos dos sábios ou a sabedoria popular acumulada durante séculos. Por isso, os nossos líderes gostam tanto de as usar. Deixo alguns exemplos que lhes poderão ser extremamente úteis:

«Se à primeira não tiveres sucesso, insiste, insiste e insiste de novo.»
«Não batas com a cabeça contra a parede»

«A ausência faz o coração crescer»
«Longe da vista, longe do coração»

«Duas cabeças a pensar são melhores que uma»
«Rema a tua própria canoa»

«Nunca se é demasiado velho para aprender»
«Não se ensinam novos truques a um cão velho»

«Quem não chora não mama»
«O Silêncio é de ouro»

«A palavra é mais poderosa do que a espada»
«Os actos falam mais alto do que as palavras»

«Quanto mais depressa mais devagar»
«O tempo não espera por ninguém»

«O seguro morreu de velho»
«Quem não arrisca não petisca»

«A cavalo dado não se olha o dente»
«Cuidado com os Gregos que trazem presentes»
-
«Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és»
«Diz-me o que pensas, dir-te-ei com quem andas»

Livreiro anónimo do contra

O clique




Como quase todos os rapazes, só muito tarde descobri a leitura. Apesar de uma casa cheia de livros e de um pai que não se cansava de nos tentar incutir o prazer da leitura. Essa descoberta só se deu por volta dos treze, catorze anos - foi necessário ter ficado doente e acamado, juntamente com a minha irmã, no mesmo quarto, para não pegar a hepatite-A aos outros. A minha irmã, sete anos mais velha do que eu, é, e sempre foi, uma leitora compulsiva. Na altura (não sei se ainda é assim), o tratamento para a hepatite-A era repouso absoluto, durante pelo menos um mês e meio. Como nos anos setenta a televisão só começava na parte da tarde, logo a seguir à telescola, não nos restava muito com que nos entretermos se não ler. Eu, como já disse, não gostava de ler - era burrinho, burrinho. Imaginem agora um puto preso a uma cama sem se poder mexer. Uma autêntica tortura. Felizmente, minha irmã teve a ideia de me ler em voz alta um livro chamado, na edição da altura, Canino Branco - A Voz dos Deuses.
Escrito por Jack London e agora editado pela Relógio D’Água com o título Presa Branca, é um livro que não conta apenas a história de um cão-lobo selvagem: mostra-nos como as mudanças dramáticas do ambiente social e natural podem modificar o nosso comportamento individual de forma a agirmos de maneira civilizada ou completamente selvagem. Este foi o livro que me fez descobrir o prazer da leitura, fez o clique na minha cabeça. Lembro-me de o ter tirado da mão de minha irmã logo que ela acabou de ler este excerto do primeiro capítulo:

«Passou uma hora, e depois uma segunda hora. A luz pálida do dia breve e sem sol começava a toldar-se, quando um ténue grito ao longe subiu no ar quieto. Aumentou com uma intensidade rápida, até atingir uma nota mais aguda, vibrante e tensa, para depois se extinguir lentamente. Podia ser uma alma penada gemendo, mas parecia animado por uma certa ferocidade triste e uma avidez devoradora. O homem da frente moveu a cabeça até os seus olhos encontrarem os olhos do homem de trás. E então, por cima da caixa estreita e oblonga, manearam a cabeça um para o outro.
Um segundo grito subiu no ar, trespassando o silêncio como uma agulha acerada. Os dois homens localizaram a origem do som. Vinha das suas costas, algures da extensão de neve que acabavam de atravessar. Um terceiro grito de resposta veio também de trás, à esquerda do segundo.

- Vêm atrás de nós, Bill.»

Gostaria que este livro pudesse fazer outros cliques na cabeça de outros miúdos. Mas se não for este que seja outro qualquer. Estou sempre a tentar impingir livros aos meus filhos, espero acertar com o Jack London.


Nota: Obrigado, Aninhas, obrigado, Jack London.




Editor: Relógio D'água
Tradução: Miguel Serras Pereira
Ano de edição: 2009
ISBN: 9789896410698
Preço: 14,00 €

Terça-feira, Maio 12

A Obra ao Negro

Uma boa notícia esta reedição da Dom Quixote.

A Obra ao Negro é a história de uma dissolução: a da ordem de valores que a Idade Média chegou a admitir como incontestáveis, mas que, mercê de quase imperceptíveis alterações, acabaram por perder o seu sentido, abrindo-se à metamorfose.
Uma personagem, Zenão, concentra em si o desejo de mudança, a vontade de alcançar, num mundo conturbado por conflitos vários, a liberdade de pensar e conceber.
E só um grande escritor poderia acompanhar, de forma simultaneamente tão minuciosa e bela, os contornos dessa personalidade, ao longo do doloroso caminho que a leva a enfrentar e a assumir a própria morte. Acaso se verificará então, nesse decisivo instante, uma das máximas possibilidades da Grande Obra alquímica, o opus nigrum, a tentativa de calcinar as formas para permitir a erupção de novo.

Título: A Obra ao Negro
Autor: Marguerite Yourcenar
Tradução: António Ramos Rosa, Luísa Neto Jorge e Manuel João Gomes
ISBN: 978-972-20-3760-0
Páginas: 352
Dimensões: 15,5 x 23,5 cm
Colecção: Ficção Universal
Ano de Edição: 2009
Encadernação: Brochado
Preço com IVA: 16.00 €

O poder da mente



Um jovem casal pára junto da montra da livraria. Como se estivessem num bar do Bairro Alto com música ao vivo, falam alto.

Não sei se por causa do nome da livraria ou pelas estantes pretas, ela comenta:
- Esta livraria tem um ambiente especial, podias entrar e perguntar se têm o livro O Poder Infinito da Mente do Lauro Trevisan.

De imediato entram e ele pergunta: Por favor, tem o…?

- Sim, O Poder Infinito da Mente.

Ela agarrando a mão do seu parceiro, sussurra-lhe ao ouvido: Estamos no sítio certo, ele tem poderes psíquicos.

-
Jaime Bulhosa

Segunda-feira, Maio 11

A não perder


O fim do livro tradicional



Diz-se que a escrita foi inventada há aproximadamente cinco mil e trezentos anos, pela necessidade prática da substituição do mensageiro. O mensageiro, utilizado frequentemente para fins militares, na maior parte das vezes morria antes mesmo de conseguir transmitir a mensagem. E, se a transmitia, normalmente era deturpada. Com a invenção da escrita, não terminaram as más interpretações. No entanto, é por causa dela que se inventa o livro.
Na Suméria (sítio onde é hoje o Iraque), o livro tinha como suporte as tábuas de cerâmica ou de pedra.
Só no antigo Egipto, dois mil anos depois, mais coisa menos coisa, é que o suporte do livro mudou para folhas de papiro feitas a partir da planta cyperus papyrus. Uma tecnologia tão complexa que, para terem uma ideia, a produção de uma folha de papiro custaria o equivalente a 50 euros. Como podem verificar, comparativamente, os livros são hoje bastante mais baratos.
O cilindro de papiro foi um avanço tecnológico enorme em relação às tábuas, quebradiças e pesadas, de cerâmica. Manteve-se durante muitos e longos anos, da Grécia antiga ao Império Romano. E é exactamente nesta altura que o livro mais se desenvolveu e se expandiu a todas as áreas do conhecimento humano. Como curiosidade, foi Júlio César que mandou construir a primeira biblioteca pública e, paradoxalmente, foi também apontado como um dos responsáveis pelo incêndio que destruiu a lendária biblioteca de Alexandria.
Na antiguidade ocidental o livro mantém o suporte, o cilindro de papiro. Na Idade Média surge o pergaminho. É assim até ao invento do papel pelos chineses. O codex, isto é, o livro tal como o conhecemos, mantém-se praticamente inalterado desde há mais de meio milénio, graças à invenção de Gutenberg.
O livro em papel foi, em toda a história do Homem, o objecto de tecnologia cultural mais venerado. Agora constantemente se ouve falar do seu fim. Não há dia em que não surjam notícias sobre os novos suportes para o livro, os famosos livros electrónicos ou e-books. Sou um céptico em relação ao livro digital, sinceramente não acredito muito no seu sucesso. Desde já, porque são demasiado caros e pouco atraentes esteticamente. Julgo que, por uns tempos, o livro “tradicional” vai continuar a passar a perna ao livro tecnológico. Fala-se de que um tipo de papel orgânico será o futuro dos ecrãs. Imaginem, se assim for, as potencialidades de um livro.


A transmissão do conhecimento no futuro deixará forçosamente de se fazer através do livro tradicional. Contudo, penso que passará muito mais por qualquer coisa parecida com a hipnopédia do extraordinário livro de Aldous Huxley, Admirável Mundo Novo, do que por um qualquer e-book.
-
Jaime Bulhosa

Sábado, Maio 9

Pensamento do dia


«Gosto quando os livros pensam como os sábios, mas falam como falam as pessoas simples.»

Livreiro anónimo a partir de uma frase de Aristóteles

Passatempo :


Leia os inícios destes 8 clássicos e coloque-os por ordem de títulos e respectivos autores. Para o primeiro e-mail enviado (podoslivros@gmail.com) com a ordem correcta, temos para lhe oferecer o livro: O Planalto e a Estepe de Pepetela.

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Orlando – Virgínia Woolf
Capitães da Areia – Jorge Amado
O Deus das Moscas – William Golding
1984 – George Orwell
Histórias Extraordinárias – Edgar Alan Poe
Admirável Mundo Novo – Aldous Huxley
O Conde de Monte-Cristo – Alexandre Dumas
O Jogador – Fiódor Dostoiévski


--
1 - «Sob a lua, num velho trapiche abandonado, as crianças dormem.
Antigamente aqui era o mar. Nas grandes e negras pedras dos alicerces do trapiche as ondas ora se rebentavam fragosas, ora vinham se bater mansamente. A água passava por baixo da ponte sob a qual muitas crianças repousam agora, iluminadas por um réstia amarela de lua.»

2 - «Ele – pois não poderia haver dúvidas quanto ao seu sexo, embora a moda da época contribuísse até certo ponto para o dissimular – estava a golpear uma cabeça de mouro suspensa das vigas do telhado. Esta era da cor de uma velha bola de futebol, e mais ou menos do mesmo feitio, tirando as faces encovadas e uma madeixa ou duas de cabelo crespo e ressequido, como os pêlos de um coco.»

3 - «As mil injúrias de Fortunato, eu suportei o melhor que pude, mas quando ele chegou ao insulto, então jurei vingança.»

4 - «Era um dia claro e frio de Abril, nos relógios batiam as treze. Winston Smith, queixo aninhado no peito, num esforço para se proteger de malvado vento, esgueirou-se depressa por entre as portas de vidro das Mansões Vitória, não tão depressa, porém, que não entrasse com ele um turbilhão de poeira arenosa.»

5 – «Em 24 de Fevereiro de 1815, o vigia de Nossa Senhora da Guarda assinalou os três mastros Pharaon, vindo de Esmirna, Trieste e Nápoles.
Como de costume, um piloto costeiro largou imediatamente do porto, passou rente ao Castelo de If e abordou o navio entre o cabo de Morgion e a ilha de Rion.»

6- «Voltei, finalmente, após duas semanas de ausência. A nossa gente há três dias que está em Roletenburgo. Pensei que me esperavam com impaciência, mas enganei-me. O general olho-me com um desprendimento extremo, falou comigo de alto e apontou-me para a irmã, que a fosse cumprimentar. Certo e sabido que o general tinha arranjado dinheiro em qualquer lado.»

7- «Um edifício cinzento e atarracado, de apenas trinta e quatro andares, tendo por cima da entrada principal as palavras:

CENTRO DE INCUBAÇÃO E DE CONDICIONAMENTO DE LONDRES-CENTRAL
e, num escudo, a divisa do Estado Mundial:

COMUNIDADE, IDENTIDADE, ESTABILIDADE»

8- «O rapaz de cabelo alourado desceu os últimos palmos de rocha e encaminhou-se para a lagoa. Apesar de ter tirado a camisola da escola, que agora lhe pendia de uma mão, a camisa cinzenta colava-se-lhe à pele e sentia o cabelo pegajoso na testa. Em torno dele, a vasta cicatriz rasgada na selva ressumava calor»

A Ninfa Inconstante


Estela não tem dezasseis anos nem sequer um metro e sessenta. Nem tão pouco consegue entender o discurso desse crítico de cinema que se apaixonou por ela e que tem uma mulher que já não fica acordada à espera dele. Mas esta não é outra dessas histórias de amor em que um intelectual maduro cai na armadilha da beleza de uma ingénua adolescente - Estela tem um plano que é tudo menos inocente. Em pano de fundo, os boleros de uma Havana ruidosa e sensual. A Ninfa Inconstante mostra todas as facetas do estilo de Cabrera Infante: os jogos de palavras que tanto fascinavam esse infatigável explorador da linguagem, as suas referências cinematográficas e literárias, o gosto pelas expressões populares e o sentido de humor único que povoa as suas páginas.
-
A Ninfa Inconstante
Autor: Infante, Guillermo Cabrera
Editora: Quetzal Editores
Tradução: Salvato Telles de Menezes
PVP: 17.00 €

Sexta-feira, Maio 8

Sessões de Autógrafos


Na Feira do Livro de Lisboa junto ao pavilhão da tinta-da-china/Pó dos Livros

Quinta-feira, Maio 7

Desespero do escritor em tempos de feira


Em tempos de Feira do Livro não lhe faltará oportunidade para conseguir o autógrafo de um escritor. São muitos os que por lá se vêem a cumprir essa “obrigação”. Que por vezes aparenta ser penosa, principalmente para aqueles que são ainda novatos e menos populares. Sentados junto dos seus editores, com um ar muito aflito, com medo de que não apareça ninguém, vemo-los com aquelas caras, de quem a qualquer momento vai gritar: «Socorro, tirem-me daqui!»
Não sei o que pensam os escritores nestas ocasiões, mas poderá muito provavelmente ser mais ou menos como se segue:


O que o leitor diz: Estou sempre ansioso para que os seus livros cheguem às livrarias.

O que o escritor ouve: Nunca pagaria um tostão por esta porcaria.

O que o leitor diz: Vim cá de propósito.

O que o escritor ouve: O editor obrigou-me a vir cá.
-
O que diz o leitor: É para oferecer ao meu marido.
-
O que ouve o escritor: Pode ser que leia qualquer coisa para além da Bola.

O que o leitor diz: Disseram-me para o ler na escola.

O que o escritor ouve: Contra a minha vontade. Ou: Provavelmente nunca o teria lido. Ou: Porque é que não estás morto.

O que o leitor diz: Não é nada parecido com as fotografias.

O que o escritor ouve: É muito pior.

O que o leitor diz: Você é tão prolífico.

O que o escritor ouve: Você escreve demais, é tão repetitivo e dá-me um sono...

O que o leitor diz:
Eu também vou escrever um livro, quando arranjar tempo.

O que o escritor ouve: O que você escreve é tão banal que qualquer idiota o consegue fazer.

O que o leitor diz: Eu apenas leio os clássicos.

O que o escritor ouve: E você não é um deles.

O que o leitor diz:
Porque não escreve acerca de____?

O que o escritor ouve: Em vez das coisas chatas sobre o que escreve.

O que o leitor diz:
O livro do Saramago vende que nem ginjas.

O que o escritor ouve: Ao contrário do seu.

O que o leitor diz: Então também dá aulas?

O que o escritor ouve:
Sim, porque escrever não é bem um trabalho a sério.

O que o leitor diz: Sabe, a minha vida dava um livro.

O que o escritor ouve: Já a sua…
-
Jaime Bulhosa

Terça-feira, Maio 5

Pandemia




Há três dias que a Pó dos Livros apanhou um vírus. Não, não foi o da gripe do México, foi bem pior. Nem um computador se livrou. Foi uma total PANDEMIA. Por isso, só hoje consegui escrever aqui.

Jaime Bulhosa

Domingo, Maio 3

A revista "os meus livros" na Feira do Livro

(clique na imagem)

Quinta-feira, Abril 30

Às vezes os críticos...


Más críticas a obras famosas:

As Flores do Mal – Charles Baudlaire
Em cem anos de história da literatura francesa apenas mencionaremos "esta obra" como uma mera curiosidade.

Emile Zola 1953

A Sangue Frio – Truman Capote
Pode dizer-se deste livro – com suficiente verdade para que valha a pena dizê-lo: «Isto não é literatura. É pesquisa»

Stanley kauffmann The new Republic

O Grande Gatsby – F.Scott Fitzgerald
O que nunca esteve vivo dificilmente poderá continuar a viver. Por isso, este é um livro só de uma estação.

New York Herald Tribune

Madame Bovary – Gustave Flaubert
O senhor Flaubert não é um escritor.

Le Fígaro

Anna Karenina – Leo Tolstoy, 1877
Lixo sentimental…Mostrei-me uma página onde contenha uma ideia.
The odessa Courier

Nota: Em solidariedade aos poetas e escritores imerecidamente mal tratados

BI

Chegaram livros novos da BI (Biblioteca de Editores Independentes) à Pó dos livros. Ao todo, são nove números da colecção e é um prazer receber na livraria uma remessa de novidades assim. A dificuldade, agora, é escolhê-los. E a tarefa não se vai revelar nada fácil porque, para além de se poderem ler em qualquer sítio (cabem no bolso do casaco), nem o preço é uma desculpa (são mesmo baratos). Deixo alguns títulos para abrir o apetite, enquanto continuo indecisa entre Gógol e Pirandello. Provavelmente levo os dois e ainda junto o Camilo Castelo Branco.

"Da Amizade e Outros Ensaios", Montaigne, nº61, pvp 5.00 €

"O Bruxo Víi, Nikolai Gógol, nº67, pvp 5.00 €

"Coisas que só eu sei", Camilo Castelo Branco, nº68, pvp 4.00 €

"Da Velhice", Cícero, nº66, pvp 4.00 €

"A Correspondência de Fradique Mendes", Eça de Queirós, nº65, pvp 5.00 €

"Pena de Viver Assim", Luigi Pirandello, nº64, pvp 4.00 €

Débora Figueiredo

Quarta-feira, Abril 29

Penguin Books na Feira do Livro de Lisboa

clique na imagem

Terça-feira, Abril 28

Luz Indecisa de José Mário Silva


Lançamento do livro Luz Indecisa de José Mário Silva editado pela Oceanos. Apresentação de Jorge Silva Melo e leituras de Miguel-Manso. amanhã pelas 19h00.


sturnus vulgaris
---
Estorninhos. Um bando deles no céu
de Lisboa - forma informe contra a
luz exígua do crepúsculo. Eu vejo-os
no seu voo colectivo, como um corpo
que dança e se agita, etéreo. Abro a janela,
ponho a cabeça de fora, pasmo diante
da beleza. Atrás de mim, alguém buzina.
Estou no meio de um engarrafamento,
a olhar para os estorninhos, imaginando
um poema em que cada verso seria
como cada um daqueles pássaros,
uma nuvem de pontos escuros
a pairar, com a cidade por baixo.

---
****
Lagos, 1993
Em frente ao azul,
eu lia Hölderlin.
tinhas, Diotima,
a cabeça no meu colo.
Tão efémera, a felicidade.

---
Luz Indecisa,
José Mário Silva,
Oceanos, 2009
Capa: Rogério Petinga
p.v.p.12.00€

---
Publicado por Isabel Nogueira

Lançamento hoje às 18h30 de À PROCURA DA ESCALA

(clique na imagem)

Segunda-feira, Abril 27

Literatura: Obra de António Lobo Antunes é "obsessivamente local e preocupada com males da história portuguesa" - The New Yorker

De acordo com uma notícia hoje no expresso a revista literária norte-americana The New Yorker publica hoje online um longo artigo sobre o escritor português António Lobo Antunes, cuja obra descreve como "obsessivamente local, preocupada com os males herdados da história portuguesa e as debilidades da sua cultura".
"Ele visa - escreve Peter Conrad, o autor do artigo -, tal como Stephen Dedalus [do "Ulisses", de James Joyce] chamando a si os inimigos da Irlanda, ser uma consciência nacional, lembrando aos seus recentemente europeizados, untuosamente prósperos compatriotas, o legado de culpa do seu vergonhoso passado deixado pela ditadura de António de Oliveira Salazar, que dirigiu o país entre 1932 e 1968, e pela brutalidade do seu regime colonial em África".
Em confronto com Lobo Antunes, o articulista coloca José Saramago, que, ao contrário daquele, situa quase sempre as suas narrativas "em países não identificados ou imaginários" e as faz "facilmente partir em direcção à universalidade".

Carta aberta aos leitores desprevenidos em tempos de crise


Caros leitores,

A 79.ª Feira do Livro de Lisboa abre portas no próximo dia 30 de Abril e fecha dia 17 de Maio. Até agora, ao contrário do ano passado, não tem havido polémica. Sei que alguns de vocês não vão resistir ao apelo. Como livreiro, devo alertar os leitores mais desprevenidos para que mantenham os bons hábitos de leitura. Sobretudo nesta época de crise, onde uma visita à Feira do Livro pode pôr em causa toda uma dieta literária, engordando de forma desmesurada as suas prateleiras com livros sem qualquer valor nutritivo, muito prejudiciais para a sua linha e carteira. Para que isto não lhe aconteça, tem de perceber que há livros e livros. Estará seguro se cumprir seis regras essenciais:

1.ª Regra:
Elabore previamente uma lista dos livros que pretende consumir. Tome nota dos seus respectivos autores, editores e preços. Pode fazê-lo na livraria, com a ajuda do seu livreiro. E, lembre-se, os melhores produtos nem sempre se encontram nas grandes superfícies.

2.ª Regra:
Se quiser arriscar e não seguir a primeira regra, então não compre por impulso nem comece pelas novidades. São as mais apetecíveis, mas normalmente também são as mais caras. Deixe-as para o fim.

3.ª Regra:
Não se deixe enganar por preços demasiado baixos. Os livros não são como os remédios. O livro genérico não tem o mesmo composto químico do livro de marca, apesar de alguns terem o mesmo título e autor. Não esqueça a relação preço qualidade.

4.ª Regra:
Observe e manuseie os livros antes de os adquirir. Não se deixe enganar pelos temas uniformizados, capas brilhantes com altos e baixos-relevos, cheias de cores e muito apetitosas, nem com cintas com frases apelativas, autocolantes com muitos números de edição e muitos milhares de livros vendidos. Habitualmente, estes livros só servem para acumular peso, alargando muito as suas estantes. Também não costumam ter qualquer sabor ou valor nutritivo. Costuma-se dizer: «A fruta mais saborosa é aquela que tem bicho.»

5.ª Regra:
Cheire os livros, sinta todos os seus aromas. Depois, com cuidado, prove as contracapas, as badanas, os índices, os cólofons, os prefácios. Se possível, leia as fichas técnicas, onde pode perceber a origem, os componentes e efeitos secundários. Veja o tamanho da mancha, a fonte de letra e a gramagem do papel. Repare também se têm data de validade e selo de qualidade, isto é, autor.

6.ª Regra:
Depois de todas as anteriores regras terem sido cumpridas, resta para escolha muito menos de metade de todos os livros disponíveis. Poderá consumi-los à vontade, na certeza de que levará para casa um produto de qualidade. Acrescento que alguns devem ser consumidos de imediato, engolindo-se de uma só vez. Não se preocupe - são mesmo feitos para isso e não fazem mal. Outros são para saborear, mastigar, digerir devagar. Dê tempo ao seu organismo para que absorva todos os nutrientes de forma a alimentar corpo e de uma maneira saudável e equilibrada.

Desejo-lhe uma boa Feira do Livro.

Lisboa, 27 de Abril de 2009


Jaime Bulhosa

Hoje sessão de leitura às 18h30


(clique na imagem para aumentar)
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A não perder a sessão de leitura hoje pelas 18h30 do novo romance de Pepetela O Planalto e a Estepe , editado pela Dom Quixote. O autor vai estar presente.

Sexta-feira, Abril 24

Literatura impossível

Há livros que são mais difíceis de ler do que outros. E se pensarmos um bocadinho, isso depende, na maior parte das vezes, mais dos leitores do que dos próprios livros.
No entanto, quantas vezes não deixamos de lado certos livros, mesmo aqueles que o nosso círculo de amigos ou os críticos literários insistem em afirmar que se tratam de obras-primas e de leitura obrigatória, fazendo-nos sentir estúpidos ou, no mínimo, imbecis por não conseguirmos lê-los. Eu confesso: há livros dos quais não passei das primeiras páginas, por me parecerem demasiado densos, ocultos, eruditos ou apenas vazios de ideias. Mas a verdade é que os não consigo ler. Mesmo após várias tentativas.
Sejamos honestos, muita gente anda a escrever para si próprio ou para uma plateia restrita e minoritária. Como curiosidade, dou-vos dois exemplos: James Joyce confessou que levou um quarto do tempo da sua vida a escrever Finnegans Wake e acrescentou que levaríamos uma vida inteira para o ler (há inclusive quem diga que nem Matusalém, figura bíblica que terá vivido 969 anos, conseguiria cumprir o feito); também Robert Browning, poeta e dramaturgo inglês do século XIX, confessou que o seu livro Sordello apenas seria entendido por si próprio e por Deus. Vinte anos depois, admitiria que só mesmo por Deus.

Jaime Bulhosa

Aviso: Importante de 24 de Abril


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Por causa deste pedido, informamos os nossos clientes de que amanhã este espaço:

Quinta-feira, Abril 23

Debate UNIPOP hoje às 18h30 na Pó dos livros

Precariedade e Novas Resistências

A precariedade laboral tem vindo a assumir dimensões crescentes, apresentando-se como o paradigma de um novo ciclo produtivo, caracterizado pela elevada flexibilidade e mobilidade da força de trabalho, a par do reforço da sua componente imaterial. Baixos salários, poucos direitos, vidas instáveis, reforço do poder patronal, submissão a novas formas de controlo e dificuldades de organização e acção colectiva – a descrição generalizada do fenómeno tem acentuado os seus constrangimentos, apontando a necessidade de substituir contratos de trabalho temporários por contratos de trabalho permanente. A crítica da desregulamentação do mercado de trabalho tem resultado sobretudo numa indisfarçada nostalgia relativamente às relações laborais do anterior ciclo produtivo «fordista», acompanhada por discursos que acentuam a necessidade de um novo compromisso social em torno do «pleno emprego» e de uma política de regulação ao serviço do crescimento económico. Essa posição tem transposto, para o seio dos movimentos sociais que pretendem combater no terreno da precariedade, discursos, lógicas e reivindicações atravessadas pela ética do trabalho e pela apologia da produção. Neste debate, propomos questionar estes pressupostos, entrecruzando a análise das novas formas de exploração laboral, com a da desfiliação de uma identidade baseada no trabalho, manifesta na crise das organizações sindicais e na criação de novas formas de acção política.

Debate com: Ricardo Noronha / Rui Duarte / José Nuno Matos

UNIPOP

Dia Mundial do livro 23 de Abril

«A leitura dilata a alma e um amigo esclarecido consola-a.»

Voltaire in Ingénuo

visitas



Luis Sepúlveda, Julio Cortázar, Javier Marías, Maruja Torres, Juan José Millás, Carmen Laforet, Mario Vargas Llosa e Gabriel García Márquez - chegaram ontem em forma de livros e estão só à espera que alguém venha "hablar con eles".


"La sombra de lo que fuimos", Luis Sepúlveda, Espasa Calpe - 22.15 euros
"Queremos tanto a Glenda", Julio Cortázar, Punto de Lectura - 9.36 euros
"Esperadme en el cielo", Maruja Torres, Destino - 23.80 euros

Débora Figueiredo